Portugal não deverá cumprir meta de défice em 2011 nem 2012

29-11-2010 14:32

A Comissão Europeia não acredita que Portugal consiga cumprir a meta de redução de défice orçamental em 2011. Nas previsões económicas de Outono, divulgadas esta segunda-feira, Bruxelas aponta para um buraco de 4,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem, três décimas acima do valor com que o Governo se comprometeu.

Pior do que a previsão para 2011 é a que Bruxelas apresenta para 2012, ano em que espera que o défice orçamental português volte a crescer para 5,1%. O valor compara com a previsão do Governo, que é de 3%.

Embora a Comissão admita que a meta para este ano, de 7,3%, deverá ser alcançada, sublinha que isso só será possível graças a uma medida não recorrente: a transferência do fundo de pensões da PT, que representa 1,5% do PIB.

Bruxelas assume que Portugal fará um «significativo esforço de consolidação» em 2011, o que poderá colocar o défice abaixo dos 5%, mas sublinha que as previsões macroeconómicas que serviram de cenário à meta de défice do Governo apresentam riscos elevados.

A Comissão Europeia sublinha os riscos de o corte ambicioso previsto para a despesa do Estado não correr tão bem como previsto no ano que vem, e ainda o risco de a economia portuguesa registar uma contracção, ao contrário do que o Governo prevê.

No que se refere à dívida pública, Bruxelas aponta para os 92% do PIB em 2012, face aos 83% esperados para este ano. Um factor que levará ao rápido crescimento da despesa com juros, que deverá ser a rubrica da despesa com maior crescimento, apresentando-se como um obstáculo acrescido à redução do défice orçamental.

Comissário avisa que são precisas mais medidas de austeridade

Citado pela Reuters, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, acredita que, sem tomar mais medidas de austeridade, Portugal poderá não conseguir cortar o défice na medida prevista, devido à deterioração expectável na situação económica do país.

«Se o crescimento se revelar inferior ao previsto pelo Governo e ameaçar as metas orçamentais de alguma forma, é essencial que essas metas sejam cumpridas, se necessário com medidas adicionais», afirmou em Bruxelas, na conferência de imprensa onde foram apresentadas as previsões da Comissão Europeia.

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